Minha experiência com PRK (atualizado em 26/05/2011)

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Há alguns dias (24/03/2011) finalmente passei pela cirurgia refrativa chamada PRK.

Li alguns relatos muito valiosos de pessoas que passaram pela mesma experiência e resolvi compartilhar a minha também. Espero que seja mais uma oportunidade para comparar as experiências, pois algo muito interessante que aprendi é que cada um realmente tem experiências diferentes. Comigo está sendo ainda mais claro, porque meus olhos estão se recuperando em ritmos muito distintos.

A PRK é irmã chata da LASIK. Embora ambas sejam baseadas na alteração da forma da córnea com laser, há diferenças importantes que refletem bastante na fase de recuperação. A técnica PRK, no meu caso, foi escolhida pelo médico por conta da espessura da minha córnea. Uma diferença entre as duas técnicas é que com a LASIK, o cirurgião abre uma “tampa” da córnea e após a aplicação do laser, a recoloca no local. Ela então serve como um curativo natural. Na PRK, o laser é aplicado sem a abertura da córnea, apenas com a raspagem do epitélio que a recobre. Assim, é necessário ficar com uma lente de contato por uma semana após a cirurgia (ou mais, como verão). As diferenças entre as técnicas aparentemente refletem bastante na fase de recuperação. Vou expor um pouco da experiência por que passei.

Fiz minha cirurgia no HOB em Brasília. Meu irmão e cunhada já haviam sido operados pelo mesmo cirurgião e tiveram bom resultado. Esta foi a minha principal referência.

Antes da cirurgia

Entre a primeira consulta e a cirurgia se passaram 7 dias. Na consulta já fiz os exames necessários e o médico analisou as informações e escolheu a PRK. Ele me encaminhou para a marcação e acabei tendo dúvidas que tive que esclarecer em outra consulta. Caso tivesse acertado tudo no primeiro dia, provavelmente poderia fazer a cirurgia no dia seguinte.

Resolvi fazer a PRK personalizada. A personalizada em geral minimiza efeitos posteriores de aberrações na córnea, que aparecem principalmente a noite. É caro, mas provavelmente estes serão os últimos olhos que terei e quero dar o melhor para eles!

Dia da cirurgia (24/03/2011)

Cheguei no HOB às 15h40, e logo fui para a sala esperar ser chamado. Fui então chamado e entrei em outra pequena sala onde havia mais 3 pessoas sendo preparadas. Pediram para eu lavar o rosto com sabão e logo em seguida, colocar uma toca, proteção nos pés (por cima dos tênis mesmo) e uma espécie de camisa por cima da minha roupa. A cada 10 minutos aproximadamente uma pessoa entrava na sala de cirurgia e mudávamos de cadeira (sim, tipo linha de produção) para ficar na ordem. A enfermeira explicou que isso serve para evitar erros.

Enquanto esperávamos, a enfermeira pingava o colírio anestésico algumas vezes. É possível perceber o efeito dele rapidamente. As pálpebras ficam um pouco mais pesadas e dá para perceber uma pequena dormência no olho. Nada que incomode – na verdade achei bem legal.

Ao entrar na sala de cirurgia, havia um time bem organizado. Um começou a pingar colírios comigo ainda em pé. Em seguida fui colocado deitado ao lado da máquina com o cirurgião ao lado da minha cabeça. Os auxiliares já colocaram uma proteção em um olho e preparavam rapidamente o outro para a cirurgia. Neste momento a coisa é meio assustadora, porque há várias pessoas caladas fazendo um trabalho rápido e fiquei sem saber bem o que se passava. Colocaram aquele aparelho para deixar o olho aberto, pingaram colírios. Então o cirurgião começou a raspar algo em cima do olho (pelo que entendi depois, aparentemente era a retirada do epitélio). Não sentia dor nenhuma, apenas via as coisas borradas acontecendo. Após a raspagem teve mais colírio e então o laser foi colocado acima do meu olho. Conseguia ver a luz guia. Fiquei olhando fixamente para ela. Então começou a aplicação do laser. São vários pulsos e é possível ver algo piscando, como uma luz forte mas muito rápida. Mesmo com a anestesia, podia sentir algo semelhante a uma pressão no olho a cada pulso. Não doía. Agora vem o detalhe que assusta alguns: há sim cheiro de queimado, aquele de sapecado mesmo… É discreto, mas um cheiro como esse sabe chamar a atenção. Achei curioso. Assim que terminou deu para perceber a lente sendo colocada e (não lembro bem) mais algumas gotas de colírio. Retiraram os adesivos e o aparelho que forçava o olho aberto. Pude então piscar normalmente. Aquele olho estava pronto.

Depois de fazerem o mesmo com o outro olho, a enfermeira me ajudou a levantar e fiquei uns 2 minutos aguardando em uma sala ao lado.

A visão estava ofuscada e um pouco borrada, mas conseguia identificar tudo normalmente. Não sentia dor alguma.

Não sei se tudo isso durou mais de 10 minutos.

Um médico apareceu, observou meus olhos com um microscópio e me passou um anti-inflamatório e um ansiolítico (para dormir melhor quando chegasse em casa) e fui embora.

Em casa pinguei os colírios e tentei dormir. Em algum tempo comecei a sentir um pouco de desconforto, um pouco de fotofobia e uma pequena ardência nos olhos, mas nada que incomodasse muito. Fiquei umas 6 horas deitado com os olhos fechados e cochilei um pouco. A noite levantei para comer e até assisti um pouco de televisão.

A propósito, os colírios são:

  • PredMild: 4 vezes ao dia até o décimo-quinto dia (depois muda o regime)
  • Vigamox: 4 vezes ao dia durante 7 dias
  • Acular LS: 4 vezes até o quarto dia
  • Oftane: 6 a 8 vezes ao dia

Para dor, me passaram Tylex 30mg.

Dia 1 (25/03/2011): por que não fiz isso anos atrás?!

O primeiro dia após a cirurgia foi tranquilo. A visão estava boa, com muito pouco embaçamento. Luzes incomodavam um pouco, o que não me atrapalhou muito porque fiquei o tempo todo com óculos escuros. Dentro de casa, deixei as janelas fechadas.

A dor não era forte. Era uma sensação de olho ressecado com uma ardência relativamente leve. Ela causava um pouco de lacrimejamento. Para onde ia, levava aqueles lencinhos da papel bem finos. Parecia muito com o incômodo que sentia quando teimava em usar uma lente de contato por muito mais tempo do que devia.

A noite fui à primeira revisão. No olho direito, minha visão estava 100%. No esquerdo, não estava perfeita mas ainda muito boa.

A médica que me atendeu fez algumas observações importantes e explicou melhor sobre alguns cuidados.

Explicou o motivo da obrigatoriedade de óculos escuros sempre que sair de casa. Os raios ultra-violeta afetam a cicatrização do olho, podendo causar uma espécie de super-cicatrização, deixando a visão permanentemente opaca.

Disse também que a visão pode piorar nos primeiros dias da recuperação, pois o epitélio vai cicatrizando de fora para dentro.

Mas o mais importante foi dizer que normalmente o dia mais sofrido para a recuperação é o segundo, e não o primeiro. Recomendou então que eu não deixasse de tomar o analgésico que haviam prescrito. Foi uma dica importante porque evitou que eu fosse para a emergência do HOB no dia seguinte…

Dia 2 (26/03/2011): botaram arame enferrujado nos meus olhos!

Um inferno… Acordei com a visão embaçada com todo o tipo de bizarrice imaginável. É difícil de descrever porque não é nada que ocorra normalmente. Foi algo parecido com usar óculos molhado (tente usar óculos no chuveiro) ou ainda um plástico transparente amassado na frente dos olhos. E não importa se os objetos estão longe ou perto: os efeitos são os mesmos.

E a dor… Ainda era a tal ardência, mas muito mais forte do que no primeiro dia. Meus olhos ficaram bem vermelhos. A única forma de diminuir a dor era mesmo deixando-os fechados e me entupindo de Tylex. Resultado: passei a maior parte do dia dormindo.

Dia 3 (27/03/2011): vapor de chuveiro

Já na madrugada do segundo para o terceiro dia, quando acordei para pingar os colírios, notei que minha visão havia melhorado bastante.

Acordei as 10h para pingar os colírios novamente. Meu olho esquerdo quase não ardia mais. O direito ainda incomodava, mas bem menos que no dia anterior. Pinguei os colírios, tomei o analgésico e voltei a dormir. Levantei novamente às 12h sem ardência no olho esquerdo e muito pouco no direito.

As bizarrices da visão diminuíram bastante mas outro efeito apareceu. Agora há um efeito de névoa bem discreto.

Resumindo: a ardência e sensação de corpo estranho diminuiu bastante mas ainda existe; os efeitos de halo e visão dupla diminuíram bastante a ponto de conseguir ler e escrever no computador com a fonte um pouco aumentada; apareceu uma névoa discreta na visão. Até agora estes desconfortos estão tranquilamente suportáveis.

Dia 3 – 18h

A visão aparentemente melhorou um pouco entre as 12h e 18h, mas não tenho certeza. No olho esquerdo não sinto incômodo algum mais, a ponto de olhar no espelho para ver se a lente está mesmo lá. O direito ainda incomoda, quase na mesma intensidade de hoje mais cedo. Às vezes dá um tempo e depois volta a incomodar. Acabei de tomar o Tylex.

Dia 4 (28/03/2011): volta ao planeta Terra

A visão está melhor do que o dia anterior e o incômodo também. Na verdade hoje foi o dia do olho esquerdo incomodar. Acordei sem problema algum. Quando estava me arrumando para trabalhar começou uma sensação de algo (um cílio, por exemplo) no olho. Olhei no espelho para procurar algo lá e nada, só o olho e a lente. Aos poucos começou a parecer que haviam jogado um pedaço de arame lá dentro. Com o tempo e algumas gotas de Oftane a coisa parou.

Fui trabalhar e ao longo do dia o incômodo voltou umas 3 vezes mais. Percebi que o esquema era fechar o olho e deixar lacrimejar um pouco. Com a lubrificação, melhorava em uns 2 ou 3 minutos.

Ah! A névoa continua forte. Liguei para o HOB e a assistente do cirurgião me afirmou que embaçamento e névoa são comuns. Do embaçamento eu sabia, mas da névoa, não. Os artigos na Internet me fizeram ficar preocupado com o tal Haze Corneano, e por isso perguntei várias vezes se o que estou vendo é normal mesmo. Repetidamente ela respondeu que sim.

Em resumo: o incômodo é muito menor que o de ontem, mas ainda há. Agora mesmo estou com uma sensação de algo no olho direito, mas bem fraca. Comparado aos dias anteriores, não é nada.

No trabalho consegui já usar o computador. Como a visão está embaçada, tive que aumentar as letras em algumas situações ou me aproximar um pouco mais do monitor. Alternei o uso de óculos escuros no trabalho também.

Acabei de pingar minhas últimas gotas de Acular LS.

Lembrei de um detalhe importante: a qualidade da visão vai mudando ao longo do dia. Em algumas horas ela pode piorar ou melhorar. Obviamente não é nada exagerado. Consigo notar ao mexer com computador.

Dia 5 (29/03/2011)

Nenhuma novidade importante. O olho esquerdo continua incomodando um pouco. Ele atrapalhou 2 vezes durante o dia. O restante ficou exatamente no mesmo.

Dia 6 (30/03/2011)

Pela experiência do dia anterior, não esperava novidades no dia 6. Senti uma piora discreta no embaçamento e na névoa.

Novamente o olho esquerdo incomodou. Na primeira vez, lá pelo meio-dia, parei, pinguei Oftane e deixei ele fechado por um tempo. O incômodo passou. O problema é que lá pelas 16h30 ele voltou. Comecei a ficar preocupado e resolvi dar uma passada no HOB. Não era uma dor forte. Parecia o que já havia acontecido no segundo e terceiro dias. Só que eu esperava que ao menos esse tipo de coisa fosse diminuindo, e acabou se mantendo.

Bom, resolvi fazer uma consulta mais para ficar com a consciência limpa, me tranquilizar.

Fui atendido por um oftalmologista da equipe do meu cirurgião. Ele examinou meus olhos e fez perguntas adicionais sobre o uso dos colírios, etc, etc. Segundo ele, está tudo normal. Aproveitei para perguntar sobre a névoa que estou vendo. Então ele explicou com mais detalhes o processo de cicatrização, o que foi bastante esclarecedor.

Ele deu mais explicações sobre os efeitos visuais que estão ocorrendo comigo. Após a cirurgia, os olhos começam a criar uma “casca” por cima do local “destruído”. A lente serve como um curativo para a formação dela. Esta casca se forma rapidamente e é irregular, o que causa todo o tipo de efeito. Ela serve como proteção enquanto outro processo mais lento ocorre em paralelo. Este último é o que forma as camadas definitivas do epitélio. Após a retirada da lente, a casca vai sendo removida aos poucos. Um dos processos que a remove é o piscar dos olhos. Bom, isso me deixou mais tranquilo sobre os efeitos visuais. Disse também que na verdade a coisa geralmente vai piorando até o sétimo dia.

Outra coisa que achei interessante foi a explicação sobre a diminuição da lubrificação nos olhos. Nossos olhos têm terminações nervosas que identificam quando eles estão secos. Eles então geram informações para a produção de lágrimas. E adivinhe onde tem bastante dessas terminações… bem na frente, onde torram. Assim, o PRK acaba destruindo um monte de terminações. O aviso de que o olho está seco não é enviado, as lágrimas ficam guardadas e o olho continua seco. Após a cirurgia, as terminações são restauradas aos poucos. Não lembro bem dos números, mas a maior parte das pessoas se recupera em até 6 meses, mas para alguns mais azarados pode demorar até 1 ano.

Não espero novidades no dia 7. Se tiver, escrevo algo. Caso contrário, só o dia 8, quando irei tirar as lentes.

Dia 7 (31/03/2011)

Infelizmente teve novidade sim. Acordei com o olho me incomodando mais do que antes. Fui trabalhar mas lá pelas 16h não aguentei e resolvi ir ao HOB novamente. No dia anterior, o incômodo vinha e passava. Hoje, acordei com ele e não passou.

Lá no HOB fui atendido por outra médica, muito atenciosa. Ela examinou meus olhos e não encontrou nada de anormal no olho esquerdo. Resolveu então trocar a lente. Disse que estava bem suja, o que é normal. Ao retirá-la, o olho ardeu bastante. Para colocar a nova, teve que pingar anestésico. Pediu que eu voltasse a usar o Acular apenas no olho esquerdo porque é um analgésico. A retirada definitiva está marcada para o dia seguinte. Disse que talvez tenha que esperar mais um pouco, mas pediu que fosse para a retirada no dia seguinte mesmo assim para avaliação. A visão com ele continua bem embaçada, para longe ou perto.

Tem também uma notícia boa. Após examinar o olho direito, disse que estava totalmente preparado para ficar sem a lente. Ao contrário do outro olho, a retirada foi tranquila. Incomodou muito pouco e segundos depois já era como se nada tivesse acontecido com ele. E a visão está bastante satisfatória! Nítida, limpa, sem o efeito de névoa que me preocupava. No entanto notei uma espécie de sombra no lado esquerdo de objetos claros com fundo escuro. Não cheguei a comentar com a médica porque não havia notado antes de sair do consultório.

Parece que o ressecamento irá incomodar no olho direito. É possível perceber nitidamente. Mas parece bem suportável e nada que me tire a atenção.

Este era o último dia também do Vigamox. Ela me esclareceu que o Vigamox deve ser usado até a retirada da lente. Portanto, continuo então usando todos os colírios no olho esquerdo e apenas o PredMild e Oftane no olho direito.

Dia 8 (01/04/2011)

Olho esquerdo dando trabalho ainda… menos do que o dia anterior, mas ainda assim atrapalhou. Na madrugada acordei com dor e ele lacrimejou bastante. Alguns minutos depois a dor passou. Imaginei que pudesse ser causada pelo ressecamento, pois senti o olho direito bastante seco também e após alguns poucos minutos lacrimejando ela passou. Mais tarde criei uma nova teoria para a dor.

Acordei com o olho esquerdo incomodando um pouco, mas muuuuito menos do que no dia anterior. Era como se um cílio estivesse dentro, mas um bem pequeno. Não fui trabalhar para deixar as coisas mais tranquilas.

Lá pelas 10h fui deitar e logo notei o que pode ter causado a dor na madrugada anterior. Ao me espreguiçar (!!) fechei o olho bem forte e senti a lente se deslocar um pouco. Quando isso aconteceu, veio a dor. Com os olhos ainda fechados, movi ele para os lados e a lente voltou ao lugar. Aos poucos a dor passou. A sensação foi idêntica à da madrugada. Engraçado que não tinha acontecido desse jeito antes (nos dias 1-7). Aí veio outra teoria: em um relato que li na Internet, parece que a lente gruda um pouco no olho. Alguém mencionou que foi difícil retirar a lente por conta disso. Como havia trocado ela há poucas horas, provavelmente estava bem solta ainda. Bom, é só uma teoria sem base :).

Às 18h fui finalmente retirar a maldita lente do olho esquerdo. Após examinar o olho, a médica disse que ainda não era completamente seguro retirá-la pois existia ainda uma pequena parte que não estava “pronta”. Fiquei de voltar na segunda-feira, dia 4. Foi muito chato saber que iria ficar com esse negócio o final de semana todo. Tive que me acostumar com a ideia.

A visão está na mesma: o olho direito boa e o esquerdo bem embaçado. Há ainda aquela “sombra” na visão do olho direito.

Dia 9 (02/04/2010)

Ao abrir os olhos pela manhã, veio uma sensação muito boa porque dava para perceber uma nítida melhora na visão do olho esquerdo. Ainda está embaçado, mas melhorou.

Ainda há a sensação de algo incomodando no olho, aquele incômodo de lente apenas, sem dor.

A visão dele piorou um pouco do longo do dia. Creio que seja por conta da diminuição da luz do dia, o que aumenta o raio da pupila e acaba pegando mais área da córnea. Mais uma vez criando teorias sem base nenhuma… é bom para passar o tempo.

Saí a noite e fiquei bastante tempo na rua. Era estranho ter a visão boa com um olho e embaçada com o outro. Olhava alternadamente a mesma coisa com o olho e depois com outro para comparar.

Dia 10 (03/04/2011)

Visão do olho esquerdo melhorando. É animador. O incômodo continua o mesmo. No olho direito, tudo no mesmo.

Amanhã irei novamente ao HOB para retirar a lente… assim espero.

Dia 11 (04/04/2011)

É difícil gostar de segundas-feiras, mas acordei animado porque iria retirar a maldita lente à tarde.

A animação não durou muito…

A oftalmologista pingou um pouco de colírio anestésico e retirou delicadamente a lente com uma pinça. Em seguida, começou a examinar meu olho com o microscópio. Enquanto examinava, podia ouvir dela um ou outro “hmmmm”, que eram traduzidos por minha cabeça em “não estou gostando disso”. Pedia para piscar. Eu piscava. Pelo olho direito, podia ver o canto da boca dela fazendo aqueles movimentinhos involuntários que confirmavam a minha tradução (se ela ler isso, acho que vai rir um pouco).

Ela então me explicou o que havia acontecido. Me disse que o epitélio havia coberto o meu olho todo, o que era esperado, mas que em uma parte do olho ele estava solto. Ao piscar, ele se movimentava, sem aderência. Ela refletiu um pouco me disse que achava melhor retirar aquela parte do epitélio e recolocar a lente. Não preciso dizer que fiquei frustrado com aquilo, pois havia retirado sem problemas a lente do olho direito no dia 7 após a cirurgia.

Após ir atrás de uma segunda opinião, ele resolveu fazer mesmo o que havia dito. Achei a busca por esta segunda opinião bem interessante, pois me passou a sensação de que no HOB há trabalho em equipe.

Ela pingou mais umas gotas do colírio e com cotonete foi retirando o epitélio. Após retirá-lo, colocou uma lente nova e voltou a examinar o olho. O colega que deu a segunda opinião também examinou e pareceu satisfeito com o resultado. Ele aproveitou e me deu um atestado por 3 dias para usá-lo se necessário.

Comecei a prestar mais atenção na tal “sombra” na visão do olho direito e percebi que na verdade não é sombra, mas sim uma visão dupla. É possível perceber muito bem com objetos claros em fundo escuro. Uma versão translúcida do objeto aparece um pouco abaixo e a esquerda do “original”. É bem bizarro.

A tarde estava de volta ao trabalho. No início quase não sentia mais incômodo no olho, mas isso mudou… e muito. As horas passaram e começaram a jogar pequenos pedaços de vidro no meu olho. Ao menos era o que sentia. Tive que ir para casa, não sem antes entregar o atestado e avisar que provavelmente não iria trabalhar no dia seguinte.

Ao chegar em casa, não conseguia fazer nada. Meu olho estava vermelho e ardia. Resolvi tentar dormir. Consegui depois de muito tempo.

Dia 12 (05/04/2011)

Acordei às 8h com o olho ainda vermelho e ardendo. Pinguei os colírios e deitei novamente, dessa vez escutando música (detalhe irrelevante, sei). Peguei no sono e acordei novamente lá pelas 10h30. Me espantei um pouco porque a ardência havia praticamente parado e o olho já não estava mais vermelho. Por que diabos havia ficado a noite toda assim e em pouco mais de 2 horas resolveu parar?

A dor havia passado mas notei algo novo: minha pálpebra estava um pouco inchada. Li relatos de gente com pálpebra inchada após a cirurgia mas não havia ainda acontecido comigo. Menos mal do que aquela dor.

Passei o dia todo de bobeira, a maior parte do tempo deitado. A visão estava do mesmo jeito que o dia 10 e sentia um pouco daquele incômodo de lente raspando.

Dia 13 (06/04/2011)

Lente ainda incomodando mas sem dor. Sem mudanças na visão.

Dia de exame pela manhã.

A médica examinou meu olho e deu uma boa notícia: o epitélio estava cobrindo o olho. Iria retirar a lente e ver como ficava. Novamente pingou um colírio anestésico e retirou a lente com uma pinça. Em seguida examinou o olho novamente. Me pedia para olhar para cima, para baixo, piscar e eu obedecia. Quando começou a pedir para piscar, depois piscar de novo, trocar a cor da luz do microscópio de uma cor para outra, comecei a ficar desconfiado.

Não deu outra… Tirou o microscópio da minha frente e começou a explicar:

O epitélio estava formado. Ela não deixou claro se havia estava bem aderido, mas entendi que sim. No entanto, havia uma pequena parte (pelo desenho que fez, bem pequena) parte que tinha uma estrutura que entendi como uma discreta protuberância no epitélio e que se retirasse a lente poderia causar incômodo. Resolveu então fazer um teste: aguardar o efeito da anestesia passar e ver como sentia.

Fiquei aguardando algum tempo na sala de espera. Pude perceber o efeito do anestésico indo embora quando aos poucos sentia como se houvesse algo raspando em minha pálpebra ao mover o olho. A sensação foi ficando cada vez mais desagradável enquanto voltava a sentir meu olho.

Logo fui chamado ao consultório novamente e aguardei alguns segundos sozinho lá dentro até que a médica voltou acompanhada do cirurgião que havia me operado e mais 3 outros médicos (creio que residentes). A médica expôs o caso ao cirurgião e ele então explicou que em alguns casos, o epitélio é de fato bem mais frágil, o que exige mais tempo de uso da lente, em alguns casos por até 30 dias. Obviamente fiquei assustado com aquela afirmação. Logo em seguida disse que no meu caso provavelmente precisaria de apenas um dia a mais, mas que era melhor deixar dois para garantir. Ele então colocou uma lente zerada e imediatamente a sensação de algo raspando parou.

Voltei para casa um pouco frustrado, mas não como os outros dias pois já não esperava muita novidade em apenas dois dias após a retirada de parte do epitélio.

Há! Esqueci de perguntei sobre a visão dupla aos médicos, pois estava mais envolvido com o outro olho. Irei perguntar quando voltar para retirar a lente. Não sei se é a minha atenção ao efeito, mas sinto que está atrapalhando, principalmente ao ler algo no computador.

Fui para o trabalho lá pelas 11h. Ao longo do dia algo interessante começou a acontecer: percebi que aos poucos a percepção da lente no olho diminuía consideravelmente. Percebi que pela primeira vez o olho esquerdo não incomodava após a cirurgia. Praticamente nem sentia mais a lente.

Dia 14 (07/04/2011)

Até hoje, o melhor dia de todos. O olho esquerdo não incomodou em nenhum momento. Trabalhei normalmente.

A visão dupla continua no olho direito. A tarde um colega me chamou de longe. Ao olhar para ele, vi nitidamente o seu “espírito” o acompanhando.

Será que já posso ter esperanças em retirar a lente amanhã?

Dia 15 (08/04/2011)

Sem incômodos durante o dia.

Finalmente a lente do olho esquerdo foi retirada definitivamente. O oftalmologista que a removeu examinou o olho e disse que o epitélio estava formado, sem aquelas esquisitices que ocorreram antes.

Assim que a lente foi retirada, senti que ao mover o olho algo estava raspando um pouco. Chega a ser parecido com uma coceira. Com certeza dá vontade de coçar enfurecidamente! Vou ter que me segurar por algum tempo.

A visão não está legal mesmo, mas dá para viver… por alguns dias.

Falei para o médico sobre a visão dupla. Quando disse a ele, notei que ele não esperava aquilo. Após algum tempo, disse que teríamos que aguardar até a revisão dos 45 dias e que provavelmente era mesmo por conta da cicatrização.

Dia 16 (09/04/2011)

Sábado. Ao longo do dia aquela sensação de algo raspando foi passando. Durante a noite quase não sentia mais.

Visão dupla no olho direito do mesmo jeito.

Dia 17 (10/04/2011)

Domingo. Visão do olho esquerdo melhorou um pouco. Olho direito na mesma.

Dia 18 (11/04/2011)

Visão do olho esquerdo melhorando. Dá para perceber que o processo todo levará ainda alguns dias e que está indo em um ritmo mais ou menos estável.

A noite resolvi pesquisar um pouco mais sobre a visão dupla. Li que dependendo da coisa pode levar bastante tempo para passar ou simplesmente ficar por aqui para sempre. O negócio é esperar.

Bom, não espero grandes mudanças mais diariamente. Portanto, de agora em diante vou atualizar este post só se houver novidades…

Até lá.

Revisão dos 45 dias – visão 20/20 (09/05/2011)

Durante a espera entre o dia 18 e a revisão, fiquei aguardando e não mais prestando tanta atenção nos efeitos malucos. Mesmo assim, eles insistiam mostrar que estavam lá. A boa notícia é que, de fato, estavam diminuindo. Bem aos poucos, mas diminuindo. O engraçado é que esses efeitos não impedem que tenha uma visão ótima em alguns momentos. Em situações com bastante luz, a visão fica perfeita. Quando a luz diminui, os borradinhos aparecem. É muito simples perceber também que a intensidade deles é proporcional à secura dos olhos. Nos dias que exagero no trabalho, percebo mais claramente os problemas.

Mas vamos à revisão… Cheguei no HOB e fui rapidamente atendido. A oftalmologista que me atendeu foi a mesma do dia 7, bastante atenciosa. Ela logo fez o exame para ver se tinha sobrado algum grau. Pude ver nitidamente as linhas 20. Fiquei animado e então perguntei se havia letra menor. Ela então me mostrou a linha 15… tive que ficar calado. Das 4 letras, reconheci 1 apenas. De qualquer forma, se conseguisse, seria uma visão melhor do que o normal.

Então ela ainda tentou alguns graus para ver se melhorava ainda mais. Não notei difereças (a não ser para pior em alguns casos).

Resumindo, meus graus estão realmente zerados. Isso é muito bom :-).

Então falei sobre a visão dupla em um olho e os borrados no outro. Ela afirmou que acha que esses efeitos irão passar em alguns meses. Disse que os casos que se mantém com problemas geralmente chegam aos 45 dias em situação muito pior que a minha.

2 meses

15 dias após a revisão percebo que aos poucos os efeitos vão diminuindo. A visão dupla do olho direito foi aos poucos se tornando um pequeno borrão, no estilo do olho esquerdo, mas menos acentuado. É como se você pintar uma bolinha com uma caneta esferográfica e passar o dedo em cima antes da tinha secar. No olho direito, esse borrão já é muito pequeno e direcionado para a esquerda e um pouco para baixo. No olho esquerdo, são três caminhos: um na diagonal para a esquerda e para baixo, outro diretamente para baixo e outro também diagonal para a direita e para baixo. No olho esquerdo, os borrões são mais longos. Em ambos os olhos esses efeitos já são muito mais discretos que antes.

Ah! Estava quase esquecendo… A lubrificação nos olhos ainda não está ok. Tenho ainda que pingar Oftane várias vezes por dia. Mas por isso eu esperava. Sei que há pessoas que levam até 1 ano para voltar ao normal e isso incomoda pouco.

137 Responses

  1. Maria Loyola disse:

    Olá pessoal! Também fiz o método PRK e nos dois primeiros foi extremamente difícil, pois, meus olhos ardiam muuuito, lacrimejavamos demais e não conseguia abrir os olhos. Retiraeu a lente no 5 dia e meu médico disse que a cicatrização estava ótima. Estou no 7° dia do pós cirúrgico, não sinto dor nenhuma, apenas os olhos secos e a visão bem embaçada com névoas, mas ele me disse que a visão vai melhorano a cada dia. Fiquei mais tranquila com os depoimentos de vocês.

  2. Diego disse:

    Bom dia!
    No meu caso só doeu no primeiro dia após chegar em casa mas tomei o remédio pra dor e nunca mais senti nada. Estou com 33 dias de operado (prk) e estou um pouco preocupado pois ainda enxergo muito embaçado coisas distante e quando pergunto pra amigos que fizeram, me dizem que com duas semanas já estavam enxergando bem. Como estavam reagindo com esse tempo de operado? Eu tinha quase 5 graus de astigmatismo

  3. Thalles disse:

    Olá…. Li esse seu relato Cristiano.. E fiquei muito pesaroso em fazer a prk… Mas fiz…. Tinha muito receio qnt ao pós operatório… E que para minha grata surpresa foi muito tranquilo não senti nem 1% da maioria dos relatos… Assim q amanhecer vou retirar minha lente dps posto detalhado como foi minha prk… Feita em Goiânia no instituto panamericano da visão… Como dr lauro… Recomendo fortemente esse médico… Muito atencioso e seguro.. E passa segurança para o paciente….

  4. ADRIANA SILVA disse:

    boa tarde Cristiano, qal a espessura da sua córnea? e quantos graus possuía ? Obrigada

  5. Emerson disse:

    Opa, fiz a minha cirurgia PRK a 7 dias, dia 15/10, nao sinto mais dor alguma, um leve desconforto no olho esquerdo, so estou com um pouco de dificuldade de focar, o foco tanto para perto quanto para longe oscila bastante, mais creio que vai melhorar.

  6. Alex Farias disse:

    Minha Esposa fez Hoje 17/10 a PRK. Esta sentindo muita irritação. E lacrimeja direto, é normal?

  7. Fiz a cirurgia PRK dia 269\14 no HOLHOS, em São Paulo, me cobraram R$ 4.400, no dia da cirurgia foi td certo, ela não dura 3 min em cada olho, só q amigo nos dois dias seguintes não conseguia abrir os olhos, uma fotofobia horrível, cheguei até pesar que não deveria ter feito o procedimento. Mas, no terceiro dia as coisas melhoraram, não conseguia assistir televisão ainda, contudo consegui sair do quarto escuro o que já era mto bom, hj é dia 309\2014 e minha visão está uns 80%, consigo assistir até tv, amanha é o dia de tirar as lentes e espero que de td certo dps de alguns depoimentos q vi aqui. Eu não me arrependo de ter feito a cirurgia, só quem já foi ao cinema e assitiu filme 3d com oculos sobre oculos sabe q é um saco não enxergar bem.

  8. Flávia Lopes disse:

    Também estou com dificuldades para ver de perto e a visão ainda está um pouco embaçada. Fazem 21 dias que realizei este procedimento e estou muito anciosa para que o resultado final chegue logo. Quando pingo o colirio a minha visao fica perfeita, mas quando os oolhos ressecam embaça tudo..

  9. Igor Stuart disse:

    Bom dia galera!
    Fazem 23 dias que fiz a PRK e posso dizer que nos primeiros dias realmente incomoda muito, mas no 4 dia todo começa a voltar ao normal.
    Minha visão esta melhorando a cada dia na primeira semana oscilava muito, mas depois que retirei as lentes, minha visão começou a melhorar muuuuito, hoje enxergo muito bem, não tenho ressecamento nos olhos somente um pouco de fotofobia (mas que esta diminuindo a cada dia).
    Vale muito a pena. Eu tinha 4,75 de astigmatismo e 2,5 de miopia.

  10. Renata disse:

    Também estou com dificuldade de ver de perto. Meus olhos ardem um pouco e ainda tenho fotofobia. Bem menos intensa que no início. Estou com 18 dias de cirurgia e um pouco apreensiva. Retornarei ao médico em dois dias e pelo que eu tenho lido, isso vai passar. Obrigado por compartilhar suas experiências. Fico mais tranqüila

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